“O Estado relata 119 mortos em megaoperação no RJ; moradores retiram corpos da mata”

Em ação policial histórica no Complexo da Penha, zona norte do Rio de Janeiro, o governo do estado contabilizou 119 mortes — sendo 115 civis e 4 policiais — durante a operação deflagrada na manhã desta terça-feira. Moradores locais, revoltados, começaram a retirar corpos abandonados em área de mata próxima, questionando o procedimento das forças de segurança.

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Uma das mais letais ações policiais da história do estado, a operação — batizada de Operação Contenção — mobilizou cerca de 2,5 mil agentes entre as polícias civil e militar para cumprir dezenas de mandados de prisão e busca em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho.

Segundo o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, todas as mortes teriam ocorrido em confrontos com criminosos — “A polícia não entra atirando, entra recebendo tiro”, disse ele.
Porém, a presença de dezenas de corpos recolhidos pelos próprios moradores em uma praça do complexo gera fortes questionamentos. Muitos cadáveres foram encontrados em local de difícil acesso e teriam sido levados pela comunidade ao local de identificação.

Além das mortes, as autoridades informaram que 113 prisões foram feitas, sendo 33 acusados de outros estados, e que 10 adolescentes foram encaminhados para unidades socioeducativas. Também foram apreendidas 118 armas, entre elas 91 fuzis, segundo o governo.

Organizações de direitos humanos e ativistas denunciam que o episódio se aproxima de uma chacina, dado o elevado número de mortos e o modo como muitos corpos apareceram. Já o governo afirma que se tratou de ação legítima de Estado, com mandados, preparo e registro por câmeras corporais — embora admitam falhas no uso das câmeras, citando falta de bateria.


O intenso tiroteio paralisou vias principais, escolas e comércio na região, assustando moradores da zona norte do Rio. Há relatos de barricadas montadas por criminosos para dificultar a ação policial.
Familiares desesperados aguardam no Instituto Médico-Legal a identificação de corpos, enquanto clamam por esclarecimentos sobre ausência de socorro ou retirada dos cadáveres pela polícia.


Enquanto o governo busca projetar força no combate ao crime organizado, o custo humano e social desta operação está sendo questionado. A tragédia levanta dilemas sobre métodos de intervenção em favelas, respeito aos direitos humanos e o equilíbrio entre segurança pública e proteção de vidas. As investigações e os processos de identificação ainda seguem em curso — o número oficial de mortos pode ainda subir.

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